Correio de LisboaSÁBADO, 3 DE OUTUBRO DE 2026
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O amor não é sorte: Vìvien Pölzer revela os erros que impedem muitas mulheres de viver relacionamentos saudáveis

Por que mulheres bonitas, inteligentes, independentes e bem-sucedidas continuam acumulando frustrações amorosas? Será que o problema está realmente nos parceiros ou, muitas vezes, nas escolhas feitas ao longo da vida? Para a matchmaker e escritora Vìvien Pölzer, especialista em relacionamentos interculturais, a resposta passa por um tema que poucas pessoas gostam de enfrentar: o autoconhecimento.


Vivendo há mais de 30 anos na Alemanha e depois de acompanhar centenas de histórias de amor, ela afirma que relacionamentos saudáveis não dependem de sorte, mas de maturidade emocional, autoestima e da capacidade de reconhecer padrões que insistem em se repetir. Nesta entrevista, Vivien fala sobre os principais erros cometidos por quem procura um relacionamento, desmistifica a ideia do “par perfeito” e explica por que mudar de país ou encontrar um estrangeiro não é garantia de felicidade.


Correio de Lisboa – Por que tantas mulheres inteligentes e bem-sucedidas continuam a repetir padrões amorosos que as fazem sofrer?


Vìvien Pölzer – Esta é uma das perguntas mais importantes quando falamos de relacionamentos. Existe uma tendência para atribuir a culpa exclusivamente ao outro: «os homens não prestam» ou «eu nunca tenho sorte no amor». No entanto, quando uma mulher repete o mesmo tipo de relacionamento, vale a pena olhar para dentro e compreender os padrões que orientam as suas escolhas. Muitas dessas escolhas têm origem em experiências da infância, crenças inconscientes, traumas afetivos ou modelos familiares. O autoconhecimento permite quebrar esses ciclos e recuperar o poder de escolher relações mais saudáveis.


Correio de Lisboa – Como perceber se estamos realmente à procura de amor ou apenas a tentar preencher uma carência emocional?


Vìvien Pölzer – Existe uma diferença clara entre procurar um companheiro para partilhar a vida e procurar alguém para preencher um vazio. Quem está emocionalmente carente tende a ignorar sinais de incompatibilidade e a aceitar relações por medo da solidão. O amor saudável nasce da escolha consciente, não da necessidade. Quando estamos emocionalmente equilibrados, escolhemos melhor e estabelecemos limites mais saudáveis.


Correio de Lisboa – Qual é a maior mentira que as mulheres contam a si próprias quando falamos de relacionamentos?


Vìvien Pölzer – Muitas mulheres afirmam procurar apenas um grande amor. No entanto, durante os atendimentos, percebe-se que frequentemente procuram também estabilidade, segurança, admiração e um conjunto de características quase perfeitas. Ter critérios é legítimo, mas projetar no relacionamento a solução para todos os problemas da vida cria expectativas irreais. O amor deve complementar uma vida já construída, não substituí-la.


Correio de Lisboa – Que sinais indicam que uma mulher ainda não está emocionalmente preparada para uma relação saudável?


Vìvien Pölzer – Mágoas do passado, excesso de desconfiança, necessidade de controlo e expectativas irrealistas são sinais frequentes. Uma relação saudável nasce quando duas pessoas emocionalmente maduras escolhem caminhar juntas, e não quando uma espera que a outra cure as suas feridas. Estar bem consigo mesma é a melhor base para construir um relacionamento sólido.


Correio de Lisboa – O que significa, na prática, ter autoestima suficiente para escolher bem um parceiro?


Vìvien Pölzer – Ter autoestima é conhecer o próprio valor e compreender que um parceiro deve somar à nossa vida, e não resolver os nossos problemas. As melhores escolhas acontecem quando a mulher está emocionalmente equilibrada e não procura um relacionamento para preencher vazios.


Correio de Lisboa – Muitas mulheres acreditam que os homens estrangeiros são melhores parceiros do que os brasileiros. Isso corresponde à realidade?


Vìvien Pölzer – Depois de mais de três décadas a viver na Alemanha, posso afirmar que não existe uma nacionalidade que garanta um bom parceiro. O que muda são os valores culturais e a forma de comunicar. No final, a nacionalidade desperta curiosidade; o caráter é o que sustenta um relacionamento.


Correio de Lisboa – Que expectativas irreais costuma encontrar em mulheres que procuram relacionamentos internacionais?


Vìvien Pölzer – Muitas mulheres procuram mais do que um parceiro: procuram um recomeço. Imaginam que mudar de país resolverá todas as dificuldades. Um relacionamento internacional pode abrir portas, mas exige preparação emocional, autonomia, adaptação e vontade genuína de construir uma nova vida.


Correio de Lisboa – Quais são os maiores erros cometidos por quem inicia uma relação com alguém de outra cultura?


Vìvien Pölzer – O maior erro é acreditar que o amor, sozinho, resolverá todas as diferenças culturais. É essencial conversar sobre valores, aprender o idioma, conhecer a cultura, evitar idealizações e preservar a autonomia. O sucesso depende da comunicação, do respeito e da maturidade de ambos.


Correio de Lisboa – Como distinguir um interesse genuíno de uma relação baseada apenas no encanto pela nacionalidade ou pelo estilo de vida da outra pessoa?


Vìvien Pölzer – O interesse genuíno revela-se nas atitudes, no investimento de tempo, no respeito e na vontade de conhecer verdadeiramente a pessoa, e não apenas a sua nacionalidade. Quando alguém está interessado de forma real, procura compreender a história, os valores, os limites e os projetos de vida do outro. Já o encanto superficial costuma ficar preso à fantasia, ao exotismo ou ao estilo de vida, sem profundidade emocional.


Correio de Lisboa – Que cuidados devem ser tomados antes de tomar a decisão de mudar de país por amor?


Vìvien Pölzer – Mudar de país por amor exige preparação. Conhecer o parceiro, compreender a cultura, aprender o idioma e planear a integração são passos essenciais. Também é importante preservar autonomia financeira, emocional e social, para que a mudança seja uma escolha consciente e não uma decisão tomada por carência, pressão ou idealização.


Correio de Lisboa – Quando você resolveu iniciar neste trabalho?


Vìvien Pölzer – O trabalho nasceu espontaneamente a partir da partilha da sua própria história de vida. A experiência acumulada foi transformada nos livros Entre Amores e Culturas – A Incrível Jornada de uma Brasileira na Alemanha e Amor sem Fronteiras – A Arte de Amar Entre Culturas, que consolidam a sua metodologia e ajudam mulheres a prepararem-se emocionalmente para relações interculturais. A autoridade do trabalho vem da vivência, da prática e da transformação da própria experiência em orientação para outras mulheres.


Correio de Lisboa – O que aprendeu sobre o amor ao viver entre culturas tão diferentes?


Vìvien Pölzer – A maior aprendizagem foi que nenhum relacionamento sobrevive sem comunicação, respeito, autonomia e crescimento conjunto. O amor não depende da nacionalidade, mas da escolha diária de construir uma relação saudável. Viver entre culturas diferentes mostra que a beleza do encontro está na disposição de aprender, adaptar-se e crescer sem perder a própria identidade.


A especialista deixa claro que o amor não deve ser encarado como uma solução para carências emocionais, mas como a consequência de uma vida emocionalmente equilibrada. Na visão de Vìvien, a construção de um relacionamento saudável começa muito antes do primeiro encontro: começa quando cada pessoa aprende a conhecer a si mesma, estabelecer limites e fazer escolhas mais conscientes. É esse, segundo ela, o verdadeiro segredo para transformar a forma como se ama.


Instagram: https://www.instagram.com/vivienpoelzer/